Estava no alto da colina, tinha somente uma visão afastada do forte; logo os batedores desceram, com o intuito de descobrirem pontos estratégicos e informações mais detalhadas para que pudéssemos traçar nossos planos de resgate.
A tarde passou sem qualquer notícia deles, soubemos mais tarde que o Kipp conseguiu observar dentro da casa grande, mas foi interrompido por uma escuridão que alguém dentro da casa tinha conjurado, havia pelo menos um mago ou um clérigo entre eles, não eram simplesmente bandidos de beira de estrada, eram pessoas treinadas para lutar. Três homens abandonaram o forte e seguiram caminho pela estrada. Maulraux e Kipp abordaram os homens e mataram dois deles, o terceiro foi amordaçado, tinham a intenção de interrogá-lo, porém um grupo de 10 homens vindos do forte apareceu na estrada; o suposto refém foi abandonado e nossos amigos fugiram, voltando para a colina. O forte sabia da presença de pessoas estranhas na redondeza e desconfiados melhoraram a guarda interna.
Esperamos o entardecer e avançamos até o local onde os reféns estavam presos, porém fomos descobertos ao tentarmos pular a muralha e tochas foram lançadas na nossa direção. Corremos ao redor do forte chegando perto do lago; graças à Sêlune a noite estava clara e pudemos nos movimentar com facilidade. Nos dividimos em dois grupos: o bárbaro, o mago/clérigo e eu, no outro o drow e o menino. Nossa prioridade era salvar o grupo de cativos, enquanto um grupo fazia o resgate, nós chamaríamos a atenção para um outro ponto. Antes de avançarmos estabelecemos um plano de fuga, caso nossa empreitada falhasse.
Utilizamos das magias que pudessem gerar maior proteção, e fizemos com que o bárbaro fosse protegido e seu ataque aperfeiçoado (ele também cresceu, tinha quase uns três metros) também recebeu uma magia que permitiu que pudesse escalar as toras da muralha com maior facilidade. Me concentrei e fiz uma névoa obscurescente ao nosso redor para nos proteger das flechas vindas das torres, mas pouco tempo depois começou a soprar um vento forte, que espalhou a névoa com uma rapidez incomum. O bárbaro me carregou, juntamente com o Novartis muralha acima, ao pousarmos do outro lado fomos recebidos por uma leva de soldados e mesmo com a névoa recebemos ataque de flechas, algumas envenenadas que diminuíram a força do bárbaro, porém parecia que ele não sentia nem as dores do ataques.
O cheiro de morte estava em todo lugar, o ar estava denso, cheirava a ferro vindo do sangue, gritos de dor e agonia misturados aos urros de raiva, lâminas se chocando, o som do martelo destroçando corpos, à luz bruxuleante das fogueiras a cena tornava-se mais assustadora beirando o irreal. Mas ao mesmo tempo havia a sensação de vitória que vinha a cada inimigo derrubado...
Flechas zuniam perto de nós e soldados armados com espadas avançavam em nossa direção, aqui raios de luz surgiam como resposta, logo mais, flechas e marteladas; cada um empenhado dando o máximo da sua arte.
O bárbaro estava coberto de sangue, dele próprio e em grande parte das pessoas que ele eliminava. Mal dava tempo dos inimigos se reorganizarem tal era a velocidade com que ele derrubava e destroçava. Em uma das torres ele avançou munido de seu martelo que emitia um som que por si só já assustava e desferiu um golpe preciso o suficiente para liquidar os arqueiros que estavam lá.
Os sons foram diminuindo até restar somente as vozes conhecidas das pessoas que compõe o nosso grupo. A nossa volta só havia corpos e destroços. Restava ainda uma última ameaça, talvez a maior e mais perigosa... a casa grande.
Nos reorganizamos para olhar dentro da casa, Maulraux tomou a dianteira. Os inimigos já esperavam pela nossa iniciativa e estavam organizados, dispararam flechas e uma envenenada atingiu em cheio o droll (não pude fazer nada...).
O bárbaro começou a ficar estranho, sua face estava transfigurada em uma máscara sangüinaria, um olhar destruidor e ensandecido dardejava morte, ele avançou sobre homens que estavam fugindo amedrontados e desferiu mais golpes fatais, não havia clemência.
A casa estava repleta de inimigos, havia magos e até mesmo um meio-ogro, a cada cômodo novos ataques; me surpreendi com o menino que escondeu-se em uma esquina do corredor e sozinho atacou e silenciou um mago antes mesmo que ele pudesse perceber de que direção vinha as flechadas. Foi lá que nos defrontamos com o chefe deles, e lá ele recebeu vários golpes até a morte alcança-lo.
Utilizei de todos os poderes concedidos pela minha deusa para salvá-los, estava esgotada... havia muita dor, muitas mortes, sangue por todos os lados e muito corpos. Juntamos esforços, nossas últimas forças para recolher os corpos e cremá-los. Que os deuses possam olhar por todos nós.
O bárbaro decepou a cabeça do chefe deles e de mais um homem, amarrou essas duas cabeças em seu cinto (nesse momento ele estava parecido com o homem das garras) e arrastou os corpos para empalá-los; inutilmente me coloquei na sua frente junto com o Kipp, para impedi-lo de cometer essa sandice, mas ele permaneceu irredutível na sua decisão. Vi o mal tomando conta dele.
Conversei muito com ele, expliquei que não havia a necessidade de carregar a cabeça do chefe para recebermos a recompensa, que o capitão do forte confiava em nós, uma vez que o salvamos das maldades daquele clérigo no cemitério. Ele se acalmou e devolveu as duas cabeças para que pudéssemos cremá-las, oferecendo assim o mínimo de respeito por eles.
O drow não passou a noite conosco, seguiu o rastro deixado pelos recém libertos reféns. Permaneci com o restante do grupo na casa grande para descansar. Pela manhã juntamos os mantimentos e animais que seriam úteis. Ao deixar o local senti um grande alívio, a luz do dia a cena era mais aterradora. Uni meu coração ao da Grande Deusa Sêlune, roguei pelos que ali haviam feito a viagem de retorno.
Alcançamos o restante do grupo ao entardecer, avançamos lentamente devido os animais e a carga que transportávamos.
Foi grande a alegria das pessoas que reencontravam seus familiares há muito apartado deles. A cidade ficou agradecida pelo tanto que contribuímos para a reestabilização daquele local.
Aproveitamos para descansar, reparar nossas armaduras e nos prepararmos para retomar a viagem. Acho que entre as pessoas do local os nossos feitos tornaram-se uma lenda, com o tempo talvez só as crianças acreditem que há muito tempo atrás um grupo pouco ortodoxo enfrentou mortos-vivos, ressuscitou um mago, ergueu um monumento a vida onde antes só havia sombras e tomou um forte em apenas algumas horas...
2 comentários:
Melhor do que se tivesse visto com meus próprios olhos, adorei.
Bom mesmo, demorei pra ler...mas finalmente o fiz.
Sóuma coisa a dizer, está contratada Lunara: "relatora" do grupo. Vc podia fazer um descrição dessas depois de cada sessão. O q acha?
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