segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Ordem do Martelo - Crônicas



A Glória pela Espada - terceira parte


- Então, qual é o plano? – indagou Daher, após alguns instantes. – Fortificar Vau d’Água e enviar um mensageiro ao castelo de Clonwel?
Malathesta que estava agachado, apoiando-se em seu arco longo, balançou a cabeça negativamente. – Se fizermos isso poderíamos resistir até que o Rei Athlone se decidisse a enviar tropas suplementares, mas todos aqui sabem que isso não irá acontecer! Ele prefere perder todas as vilas do sul saqueadas a despender qualquer soldado de infantaria ou arqueiros, quanto mais cavalaria! Ainda mais com a trégua com Canistorgis tão frágil.
- Você tem razão Irmão – disse Hurao. – Mesmo que resistíssemos aqui dentro, todo o extremo sul, suas vilas, plantações, homens e mulheres, crianças e velhos seriam arrasados pelo bando de guerra. Mas, qual é a opção? Lutar em campo aberto? Você deve saber que nem com a guarnição dessa fortaleza nos apoiando, seríamos capazes de vencer! Seríamos massacrados...
Malathesta levantou-se abruptamente – Há bom senso em suas palavras Irmão. Mas prefiro a morte em batalha do que ouvir de um guerreiro da Ordem que ele prefere o bom senso à espada.
A face de Hurao ruborizou-se com a raiva e sua mão escorregou até a espada em sua bainha. – Ora, seu...
- Parem com isso! – bradou Cedorn. – Que o Relâmpago e o Trovão queimem sua carne e quebrem seus ossos se qualquer um de vocês ousar levantar seu braço contra o outro. - Deu um passo adiante e colocou-se no centro do círculo formado pelos homens. – De qualquer maneira, nosso dever aqui é matar essas criaturas, e para isso nada melhor que nossas espadas. Não há como fugir dessa verdade. Mas não há nada que nos impeça de utiliza-las com bom senso.
Aquedaban, o Espada Negra, que até este momento havia permanecido em silêncio, e que, dentre todos da comitiva, melhor conhecia Malathesta, adiantou-se até o centro do círculo, deixando claro sua requisição pelo direito à palavra. Cedorn, reconhecendo o direito de seu companheiro, afastou-se calmamente. O Espada Negra, então, falou:
- Malathesta Flecha Longa está correto. Não há razão para bom senso ou ponderações agora. Athlone não é um tolo. E todos aqui sabem! É pouco provável que ele e seus conselheiros não tivessem pistas do que ocorria além da Grande Muralha. A possibilidade de haver um bando de guerra orc nessas terras deve, pelo menos, ter cruzado a mente do Rei.
- Onde você quer chegar, Espada Negra? – indagou Hurao.
- Athlone está preso, como senhor destas terras, à algumas obrigações. Seu compromisso com seus guerreiros, mesmo em terras pouco importantes como as meridionais, é auxilia-los na defesa de suas posses. Mas sua maior preocupação, como disse nosso Irmão, é com Canistorgis e as terras na fronteira oriental do Reino. Ao enviar uma comitiva de nossa Ordem para exterminar um “mero grupo de pilhagem” ele, ao mesmo tempo em que cumpre sua obrigação de auxiliar seus vassalos, pode se escusar de culpa pela pilhagem de Vau d’Água e dos campos sulistas, pois, aos olhos de todos, não haviam informações sobre um pequeno exercito pronto a atravessar a Passagem Sul.
A chuva permanecia incessante e Malathesta, tomando o lugar de Aquedaban no centro do círculo, continuou:
- Ora, todos sabemos que nossa Ordem carece de maior poder dentro do Reino. Há outras com maiores privilégios junto ao Rei. Se morrermos não haverá comoção. É um sacrifício fácil para ele, algumas vilas esparsas, uma fortaleza e oito Martelos de Guerra. Fomos mandados aqui para morrer!
- Portanto, não há razões para bom senso! Vamos empunhar nossas espadas e derramar sangue. Somente o caminho da espada importa agora! – Aquedaban complementou, ao mesmo tempo sério e irritado.

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