segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Ordem do Martelo - Crônicas
A Glória pela Espada - quarta parte
Um relâmpago iluminou os céus, seguido de um estampido que pareceu atingir o mundo inteiro. O ar se preencheu com eletricidade. A apreensão e a adrenalina tomaram conta de todos, à exceção de um homem. Amhar tomou em sua mão seu martelo de guerra, símbolo de sua liderança entre os demais. Com o martelo virado para baixo e um rubi, na extremidade da haste, virado para o palato, ele andou até o meio do círculo. O direito à voz era agora seu. Inconteste. Sua palavra era Lei.
- As palavras de Malathesta e Aquedaban são sábias e merecem uma maior reflexão. Mas não é para isso que estamos aqui. Não viemos para discutir política, nossa opinião não foi pedida! Não viemos para refletir sobre a posição de nossa Ordem dentro do Reino! Viemos para lutar! Lutar...e matar! – Espada Negra deixou um pequeno sorriso surgir em seu rosto ao ouvir tais palavras, enquanto os olhos de Amhar percorreram os olhos de seus companheiros. Um por um ele perscrutou a face deles até se fixar nos olhos do Espada Negra, e continuou.
- Prestem atenção! Não viemos trazer a guerra e a morte a nossos inimigos para preencher nossos destinos ou para trazer glória a nossos nomes. Não devemos levantar nossas armas em vão. Como o próprio Espada Negra nos disse o Rei possui obrigações para com seus guerreiros. E seus guerreiros possuem obrigações para com seu Rei! E nossa obrigação, segundo nosso Rei, é proteger estas terras. A minha como guerreiro de minha Ordem e como homem de meu Rei. A de vocês como acólitos da Ordem do Martelo.
- E como iremos realizar tal tarefa? – questionou Daher. - Como Hurao disse, oito de nós, mesmo apoiados pela guarnição da fortaleza, não são páreos para um bando de guerra. Pelo menos não em campo aberto. E se ficarmos fortificados em Vau d’Água não teremos como proteger as terras que a circundam, como disse Malathesta. Como podemos proteger essas terras?
- Não podemos! Por isso defenderemos a Passagem Sul. – interveio Cedorn.
O grupo olhou espantado para o velho soldado. Todos em silêncio esperaram que ele desvendasse o significado daquelas palavras. A verdade é que com exceção do próprio Cedorn e de Amhar nenhum dos homens daquela comitiva havia descido tão ao sul do Reino. Eram todos guerreiros testados em campo de batalha – uns mais, outros menos – mas que haviam lutado a maior parte de suas batalhas no leste. Nenhum deles havia atravessado a Passagem Sul. Amhar sabia muito bem que a trilha pela passagem, por muitas vezes, se estreitava permitindo no máximo três homens ombro a ombro. Havia um ponto de particular interesse. Na última descida para se chegar ao outro lado da Grande Muralha. Ali a trilha era suficientemente estreita para que eles pudessem formar uma pequena parede de escudos. Além disso, no início da descida havia um pequeno platô que daria à ele e aos seus homens a vantagem na luta por estarem em terreno elevado em relação aos inimigos. Amhar e Cedorn sabiam que a única chance, e ainda assim arriscada, que tinham de segurar os orcs era com a vantagem geográfica à seu lado. Diminuindo os efeitos da vantagem numérica do inimigo eles poderiam tentar aumentar suas chances através da habilidade de seus guerreiros. E foi isso que Cedorn contou aos outros.
- Mas para que tudo dê certo precisamos nos posicionar antes que os orcs iniciem a subida da passagem do outro lado da montanha – disse Amhar. – Por isso você deve partir imediatamente Malathesta. Rastreie o bando de guerra. Quando iniciarem a subida nos encontre no platô. Você deve ir agora! Há um cavalo preparado para você. Lembre-se, precisamos ter idéia de quantos são e como estão armados. Vá!
Malathesta nada respondeu. A ordem era simples e direta. Pegou seu arco, foi ao estábulo e sob a proteção da chuva deixou a fortaleza rumo ao sul.
- Quanto ao resto de nós, devemos pegar alguns suprimentos. Depois devemos partir também, o mais rápido possível...
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