Introdução - A Ordem do Martelo
Quando não se há mais nada a perder, quando tudo que possuímos nos é tomado e tudo em que acreditávamos nos é negado, certamente somos obrigados a rever certos princípios. Mais do que frustração ou desespero, a sensação mais visceral é a necessidade de identificar o que é realmente necessário para a vida. Nem luxos, nem posição, nem reconhecimento, nem mesmo o pão de cada dia.
Escrevo aqui a história de Andarilhos. Dou forma à história dos mais desgraçados dos guerreiros. Dos mais desonrados dos cavaleiros. Aqueles que não possuem lar à proteger ou senhor à servir. O que sobrou a esses homens desonrados e caçados foi sua fé e seu código de conduta: viver para batalhar! Viver em função daquele instante em que suas ações, sua vida e sua alma estarão fundamentadas. É esse instante que eles procurarão sempre alcançar novamente. Mas nem sempre foi, assim, tão simples. Suas obrigações foram enormes no passado. Sua fama como guerreiros e homens respeitados percorreu terras extensas. Sua lealdade foi considerada inconteste. Mas assim como as estações substituem umas às outras trazendo mudanças nas vidas dos homens e da natureza, o destino também trouxe mudanças à condição desses guerreiros. Hoje sua condição define seus nomes. Nome que é sussurrado como uma lenda. Nunca cantado, pois se referir à sua história é chamar para si uma maldição. São chamados pelos comuns, sussurrados na noite, como Andarilhos. Mas no passado eram conhecidos como Cavaleiros do Martelo.
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