sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

PRECE

Que a minha prece seja, não para ser protegido dos perigos, mas para não ter medo de enfrentá-los.
Que a minha prece seja, não para acalmar a dor, mas para que o coração a conquiste.
Permita que na batalha da vida não procure aliados, mas as minhas próprias forças.
Permita que não implore no meu medo, ansioso por ser salvo, mas que aguarde a paciência para conquistar a minha liberdade.

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Batalha no forte

Estava no alto da colina, tinha somente uma visão afastada do forte; logo os batedores desceram, com o intuito de descobrirem pontos estratégicos e informações mais detalhadas para que pudéssemos traçar nossos planos de resgate.
A tarde passou sem qualquer notícia deles, soubemos mais tarde que o Kipp conseguiu observar dentro da casa grande, mas foi interrompido por uma escuridão que alguém dentro da casa tinha conjurado, havia pelo menos um mago ou um clérigo entre eles, não eram simplesmente bandidos de beira de estrada, eram pessoas treinadas para lutar. Três homens abandonaram o forte e seguiram caminho pela estrada. Maulraux e Kipp abordaram os homens e mataram dois deles, o terceiro foi amordaçado, tinham a intenção de interrogá-lo, porém um grupo de 10 homens vindos do forte apareceu na estrada; o suposto refém foi abandonado e nossos amigos fugiram, voltando para a colina. O forte sabia da presença de pessoas estranhas na redondeza e desconfiados melhoraram a guarda interna.
Esperamos o entardecer e avançamos até o local onde os reféns estavam presos, porém fomos descobertos ao tentarmos pular a muralha e tochas foram lançadas na nossa direção. Corremos ao redor do forte chegando perto do lago; graças à Sêlune a noite estava clara e pudemos nos movimentar com facilidade. Nos dividimos em dois grupos: o bárbaro, o mago/clérigo e eu, no outro o drow e o menino. Nossa prioridade era salvar o grupo de cativos, enquanto um grupo fazia o resgate, nós chamaríamos a atenção para um outro ponto. Antes de avançarmos estabelecemos um plano de fuga, caso nossa empreitada falhasse.
Utilizamos das magias que pudessem gerar maior proteção, e fizemos com que o bárbaro fosse protegido e seu ataque aperfeiçoado (ele também cresceu, tinha quase uns três metros) também recebeu uma magia que permitiu que pudesse escalar as toras da muralha com maior facilidade. Me concentrei e fiz uma névoa obscurescente ao nosso redor para nos proteger das flechas vindas das torres, mas pouco tempo depois começou a soprar um vento forte, que espalhou a névoa com uma rapidez incomum. O bárbaro me carregou, juntamente com o Novartis muralha acima, ao pousarmos do outro lado fomos recebidos por uma leva de soldados e mesmo com a névoa recebemos ataque de flechas, algumas envenenadas que diminuíram a força do bárbaro, porém parecia que ele não sentia nem as dores do ataques.
O cheiro de morte estava em todo lugar, o ar estava denso, cheirava a ferro vindo do sangue, gritos de dor e agonia misturados aos urros de raiva, lâminas se chocando, o som do martelo destroçando corpos, à luz bruxuleante das fogueiras a cena tornava-se mais assustadora beirando o irreal. Mas ao mesmo tempo havia a sensação de vitória que vinha a cada inimigo derrubado...
Flechas zuniam perto de nós e soldados armados com espadas avançavam em nossa direção, aqui raios de luz surgiam como resposta, logo mais, flechas e marteladas; cada um empenhado dando o máximo da sua arte.
O bárbaro estava coberto de sangue, dele próprio e em grande parte das pessoas que ele eliminava. Mal dava tempo dos inimigos se reorganizarem tal era a velocidade com que ele derrubava e destroçava. Em uma das torres ele avançou munido de seu martelo que emitia um som que por si só já assustava e desferiu um golpe preciso o suficiente para liquidar os arqueiros que estavam lá.
Os sons foram diminuindo até restar somente as vozes conhecidas das pessoas que compõe o nosso grupo. A nossa volta só havia corpos e destroços. Restava ainda uma última ameaça, talvez a maior e mais perigosa... a casa grande.
Nos reorganizamos para olhar dentro da casa, Maulraux tomou a dianteira. Os inimigos já esperavam pela nossa iniciativa e estavam organizados, dispararam flechas e uma envenenada atingiu em cheio o droll (não pude fazer nada...).
O bárbaro começou a ficar estranho, sua face estava transfigurada em uma máscara sangüinaria, um olhar destruidor e ensandecido dardejava morte, ele avançou sobre homens que estavam fugindo amedrontados e desferiu mais golpes fatais, não havia clemência.
A casa estava repleta de inimigos, havia magos e até mesmo um meio-ogro, a cada cômodo novos ataques; me surpreendi com o menino que escondeu-se em uma esquina do corredor e sozinho atacou e silenciou um mago antes mesmo que ele pudesse perceber de que direção vinha as flechadas. Foi lá que nos defrontamos com o chefe deles, e lá ele recebeu vários golpes até a morte alcança-lo.
Utilizei de todos os poderes concedidos pela minha deusa para salvá-los, estava esgotada... havia muita dor, muitas mortes, sangue por todos os lados e muito corpos. Juntamos esforços, nossas últimas forças para recolher os corpos e cremá-los. Que os deuses possam olhar por todos nós.
O bárbaro decepou a cabeça do chefe deles e de mais um homem, amarrou essas duas cabeças em seu cinto (nesse momento ele estava parecido com o homem das garras) e arrastou os corpos para empalá-los; inutilmente me coloquei na sua frente junto com o Kipp, para impedi-lo de cometer essa sandice, mas ele permaneceu irredutível na sua decisão. Vi o mal tomando conta dele.
Conversei muito com ele, expliquei que não havia a necessidade de carregar a cabeça do chefe para recebermos a recompensa, que o capitão do forte confiava em nós, uma vez que o salvamos das maldades daquele clérigo no cemitério. Ele se acalmou e devolveu as duas cabeças para que pudéssemos cremá-las, oferecendo assim o mínimo de respeito por eles.
O drow não passou a noite conosco, seguiu o rastro deixado pelos recém libertos reféns. Permaneci com o restante do grupo na casa grande para descansar. Pela manhã juntamos os mantimentos e animais que seriam úteis. Ao deixar o local senti um grande alívio, a luz do dia a cena era mais aterradora. Uni meu coração ao da Grande Deusa Sêlune, roguei pelos que ali haviam feito a viagem de retorno.
Alcançamos o restante do grupo ao entardecer, avançamos lentamente devido os animais e a carga que transportávamos.
Foi grande a alegria das pessoas que reencontravam seus familiares há muito apartado deles. A cidade ficou agradecida pelo tanto que contribuímos para a reestabilização daquele local.
Aproveitamos para descansar, reparar nossas armaduras e nos prepararmos para retomar a viagem. Acho que entre as pessoas do local os nossos feitos tornaram-se uma lenda, com o tempo talvez só as crianças acreditem que há muito tempo atrás um grupo pouco ortodoxo enfrentou mortos-vivos, ressuscitou um mago, ergueu um monumento a vida onde antes só havia sombras e tomou um forte em apenas algumas horas...
Lunara

domingo, 18 de novembro de 2007





O animal que indaga o vento,

que perscruta o céu

e explora o divino.

E eu?

Indago a terra?

Perscruto o chão?

exploro a vida...(ou tento).

Anômimo.

(A imagem é gravura de Katsushika Hokusai).

sábado, 3 de novembro de 2007

Ordem do Martelo - Crônicas


A Glória pela Espada - Segunda parte



Com um gesto de mão, Amhar chamou Cedorn e se dirigiu ao grande salão de Vau d’Água. Os outros seis esperaram sob a chuva, procurando abrigo debaixo da plataforma de uma das torres. Todos os olhos estavam sobre eles e, embora não pudessem ser ouvidos percebia-se, pelo comportamento gestual das pessoas no local, que sussurros espalhavam-se pela fortaleza.
Horas pareceram ter passado. A chuva continuava a se precipitar incessantemente. Sopa e pão foram trazidos para os seis homens que continuavam esperando, encapuzados, debaixo da torre sul. A porta do grande salão abriu-se e de dentro saiu um homem barbudo de meia-idade disparando ordens para os soldados do lado de fora. Amhar e Cedorn apareceram à seguir e se dirigiram à seus companheiros.
Amhar, apesar de não ser o mais velho do grupo, era um guerreiro extremamente experiente. Devia possuir cerca de quarenta anos, vinte e cinco dos quais vividos em campos de batalha e casernas. Um homem cuja personalidade havia sido forjada para e pela espada. Austero e resoluto. Possuidor de algumas dezenas de cicatrizes e de estatura superior à mediana, seus longos cabelos já haviam trocado a matiz dourada pela cinza, enquanto sua barba era uma amalgamação de gradações entre o áureo e o gris. Seus olhos negros carregavam uma intransigência cujo limite poderia se confundir com a crueldade. A crueldade de um soldado. Em sua cintura carregava um martelo de guerra com um rubi vermelho incrustado no fim da empunhadura: símbolo do poder de comando e do direito de impor punição sobre seus iguais. Além do capuz e das roupas normais que utilizava, carregava um fardo, cingido por um grosso tecido, e um escudo circular de madeira e couro, pintado com um martelo de guerra vermelho, símbolo da Ordem, e uma raposa negra, seu símbolo pessoal.
Cedorn, entre os oito martelos, era aquele que havia visto o maior número de primaveras. Seu corpo, apesar de já enrugado, era forte e sadio. O crânio era liso e seu diferencial era, com certeza, sua mente ágil e seu espírito agudo, arrebatado pela certeza de sua fé na Água, no Trovão e no Relâmpago. A trindade de elementos comandada pelo patrono da Ordem do Martelo, Bel. Seu braço esquerdo era inútil para a guerra. Herança de um ferimento causado por um mago Comata, nas Guerras Orientais com a cidade-Estado de Canistorgis. Vestia uma armadura de couro surrada, mas de ótimo material e manufatura. O peitoral da armadura possuía a constelação de Sagitário em baixo relevo. Ornamentada com fios de prata, o desgaste da peça ficava evidente através da existência de algumas falhas no desenho. Preso ao pescoço por uma corrente de prata havia um amuleto. A peça consistia de um círculo de prata de dois centímetros de raio com um martelo de rubi incrustado, e circundado por um fio de ouro. Na cintura carregava uma espada curta embainhada e um cinto com vários alforjes. Foi o primeiro a falar ao grupo de homens:
- Os augúrios estão sempre presentes. Nossa tarefa é apenas reconhecer e então agir em relação à irmandade de todas as coisas. Mas na maioria das vezes estamos cegos ou somos prepotentes demais para reconhecer os sinais. Alegrem-se meus amigos! – um sorriso jocoso surgiu em seu rosto.
- Assim como a chuva se derrama sobre este solo, sangue será derramado também – sentenciou.
Seus companheiros, apesar de pouco entenderem sobre o que o velho Cedorn falava, se divertiam, como sempre, com suas palavras.
Amhar, então, falou.
- Não estamos lidando com um mero grupo de pilhagem orc... Segundo o capitão de Vau d’Água há um bando de guerra pronto para atravessar a Passagem Sul – a chuva pareceu precipitar-se ainda mais forte, se é que era possível, trazendo consigo estrondorosos trovões que podiam ensurdecer um homem.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Algumas considerações sobre o Bushidô e os samurais

Para os personagens que gostam de ser "lawful" e ter obrigações...


O papel do samurai era simples: sua obrigação consistia em lutar e, se necessário, morrer por seu amo.

Uma conhecida frase contida em Hagakure (1716), o livro sagrado do samurai (de Tsunetomo Yamamoto - 1659-1719 - súdito do feudo de Saga), diz: “A filosofia de bushi está na morte”. Isso significa que “mesmo sendo chamado de morte fútil, quando estiver no limiar entre a vida e a morte, deve-se posicionar para o lado da morte. Não há necessidade de pensar se essa atitude seria fiel ou infiel, leal ou desleal. Simplesmente ensina-se para escolher a morte. Bushidô é pensar toda manhã na sua forma de morrer, imaginando somente a sua imagem gloriosa na morte, e assim eliminar o apego em relação à vida”. Afirma, ainda, com frieza, que “esse mundo é como se fosse um boneco mecanizado.”

No seu livro intitulado Budo Shoshinshu (Introdução à Filosofia do Samurai), Daidoji Yuzan (1639-1730 - estrategista) explica também que “desde o primeiro até o último dia do ano, deve-se preparar ininterruptamente para a morte. Concentrando-se na morte, não se desviará do caminho da fidelidade e da lealdade, podendo livrar-se de todos os males e infortúnios. Estará fisicamente livre de doenças e calamidades, terá longevidade, aprimorando-se o seu caráter e incorporando virtudes”.

Qualquer coisa que pudesse aumentar suas chances de sobrevivência despertava nos samurais um grande interesse. As armas e armaduras eram cada vez mais aperfeiçoadas, e instrutores profissionais, sistematicamente, ensinavam técnicas de combate, desenvolvendo suas próprias ryus (escolas ou estilos de esgrima) ou tradições e investigando métodos de preparação psicológica e espiritual. Foi na área da preparação psicológica que descobriram o valor do Zen e mais tarde da doutrina confucionista.

O bushidô constitui-se no código dos princípios morais que os guerreiros deviam observar tanto em sua vida diária como em sua profissão, ou seja, os preceitos e regras da obrigação da classe guerreira. Não se trata, contudo, de um código escrito, visto que consta, quando muito, de umas poucas máximas que correram de boca em boca ou saíram da pena de algum grande guerreiro ou sábio. Trata-se, com muito maior freqüência, de um código não enunciado que se estabeleceu não por obra de um célebre criador ou sobre a vida de um só personagem, mas sim como produto orgânico de séculos de experiência militar.

As três principais fontes do Bushido no Japão foram as filosofias budista, xintoísta e confucionista. O confucionismo alcança o seu apogeu no período Edo, sob a égide do xogunato que o adota como base filosófica de governo.

O Budismo se relaciona com o bushidô através do destemor do perigo e da morte. O samurai não temia a morte pois acreditava nos ensinamentos budistas, que pregavam a vida após a morte. Voltaria no encargo de guerreiro em suas contínuas reencarnações. Os samurais não tinham medo do perigo, as técnicas de meditação do Zen, foram usadas como um meio de limitar esse temor. Com os ensinamentos Zen os samurais buscavam entrar em harmonia com seu “eu” interior e com o mundo a sua volta. O desapego era a base do samurai, com a pratica do desapego, o samurai se tornou a maior casta de guerreiros que já existiu.

O Zen atraía a classe dos militares por diversas razões. Era o método que dava mais valor à experiência direta do que à especulação intelectual e que estimulava o desenvolvimento de uma personalidade corajosa, autoconfiante e ascética, atributos estes que um guerreiro considera sedutores. Obviamente, a capacidade de manter a calma e a mente em ordem diante da morte foi de grande utilidade para o samurai e, por isso, em toda a área de Kamakura, quando da introdução do Zen no Japão, surgiu uma forma do Zen conhecida como o Zen do Guerreiro. Como, provavelmente, os samurais não iriam se familiarizar com os textos e as histórias clássicas do Budismo chinês apareceu um método conhecido como Shikin Zen (no mesmo instante que o Zen), no qual os koans usados eram decorrentes da experiência cotidiana dos samurais, em vez dos clássicos contos chineses. Apesar dos samurais terem sido, inicialmente, atraídos para o Zen com uma finalidade prática limitada, não há dúvida de que se deve ao Zen a maturidade espiritual de muitos.

O bushidô foi influenciado, também, pelos preceitos do Xintoísmo, como a lealdade, o patriotismo, e a reverência aos seus antepassado. Com tal lealdade para com a memória de seus ancestrais, os samurais empenhavam essa mesma reverência ao imperador e ao seu daimyo ou senhor feudal. O xintoísmo também forneceu importância para o patriotismo com seu país, o Japão. Eles acreditavam que a Terra não existia apenas para suprir as necessidades das pessoas. É a residência sagrada dos deuses, dos espíritos de seus antepassados. A Terra deve ser cuidada, protegida e alimentada por um patriotismo intenso.

O Confucionismo ofereceu ao bushidô sua crença em relação aos seres humanos e suas famílias. O confucionismo ressalta o dever filial e as relações entre senhor e servo, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo e entre amigos, que são seguidas pelos samurais. Junto com estas virtudes, o bushidô também prega a justiça, benevolência, amor, sinceridade, honestidade, e autocontrole. Justiça é um dos principais fatores no código do samurai, assim como o amor e a benevolência que são suntuosas virtudes dos samurais.
O bushidô significa a vida total do guerreiro, sua devoção a espada, seu respeito às normas ditadas pelo Confucionismo. Não é apenas um sistema de ética a ser seguido pelas classes sociais. É a estrada do cosmo, os vestígios sagrados dos Céus, apontando o caminho.

No que diz respeito estritamente às doutrinas éticas, os ensinamentos de Confúcio foram a maior fonte para o bushidô. A calma, a beneficência e a sabedoria de seus preceitos políticos e éticos eram particularmente atrativos para os samurais, que formavam a classe dirigente. As características aristocráticas e conservadoras de seus ensinamentos se adaptavam bem às necessidades desses guerreiros.

O bushidô, centralizado nos deveres para com os senhores, sem conflitos com os sentimentos humanos, ou melhor, os sentimentos humanos se realizam na plenitude da lealdade devida a seus superiores, numa metodologia de controle do instinto e até de autopreservação irracional em nome de um anular-se de si mesmo em prol de seus senhores e mesmo nesse campo o sentimento extático de servir confere à lealdade um caráter mais dramático do que propriamente racional. Esse tipo de sistema de pensamento caracteriza-se como porta-voz de um pensamento neoconfucionista.

sábado, 20 de outubro de 2007

Sei que não é o assunto do blog, pelo menos não costuma ser. Mas publiquei assim mesmo.
O texto é do escritor peruano Mario Vargas Llosa, e desperta reflexões. Pelo menos as minhas estão bem acordadas. Não deixo de pensar no esgoto aqui de casa(aaarggghhh!!!)
Segue abaixo

Até.

O Cheiro da Pobreza

Mario Vargas Llosa
O objeto que representa a civilização não é o livro, o telefone, a Internet ou a bomba atômica. É a privada.

Há três anos durante uma viagem de Lima a Ayacucho por terra, fizemos uma escala no meio de uma chapada na cordilheira, numa aldeia onde havia um pequeno posto policial. Pedi licença ao chefe para usar o banheiro. “À vontade, doutor”, disse ele gentilmente. “O senhor quer urinar ou defecar?”. Respondi que a primeira afirmativa. Sua curiosidade era acadêmica porque o “banheiro” do posto era um cercado exposto à intempérie onde urina e fezes se confundiam em meio a nuvens de moscas e um fedor estonteante.

A lembrança dessa cena me perseguiu sem trégua enquanto, às vezes tapando o nariz, eu folheava as 422 páginas de um relatório, recentemente publicado pelas Nações Unidas, intitulado A água para lá da escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água. A prudência do título e a frieza e neutralidade de sua redação burocrática não impedem que esse extraordinário estudo, sem dúvida inspirado na sábia concepção de economia e progresso de Amartya Sen – um economista que não acredita que progresso se resuma a estatísticas -, estremeça o leitor, ao confrontá-lo com rigor cruel à realidade da pobreza e seus horrores no mundo em que vivemos.
A pesquisa realizada por Kevin Watkins e sua equipe deveria ser consulta obrigatória para todos os que queiram saber o que significa – na prática – o subdesenvolvimento econômico, a marginalização social e o fosso que separa as sociedades que os padecem daquelas que já atingiram um nível de vida alto ou médio.
A primeira conclusão dessa leitura é que o objeto que representa a civilização e o progresso não é o livro, o telefone, a Internet ou a bomba atômica, e sim a privada. Onde os seres humanos esvaziam a bexiga e os intestinos é determinante para saber se ainda estão mergulhados na barbárie do subdesenvolvimento, ou se já começaram a progredir. As conseqüências desse fato simples e transcedental na vida das pessoas são vertiginosas. No mínimo um terço da população do planeta – uns 2,6 bilhões de pessoas – não sabe o que é um sanitário, uma latrina, uma fossa séptica, e faz suas necessidades como os animais, no mato, à beira de córregos e mananciais, ou em sacolas e latas que são jogados no meio da rua. E mais ou menos 1 bilhão utiliza água contaminada por fezes humanas e animais para beber, cozinhar, lavar a roupa e fazer a higiene pessoal. Isso faz com que pelo menos 1,8 milhão de crianças morram, a cada ano, vítimas de diarréia. E que doenças infecciosas como cólera, tifo e parasitoses, causadas pelo que o relatório chama eufemisticamente de “falta de acesso ao saneamento”, provoquem enormes devastações na África, na Ásia e na América Latina, constituindo a segunda causa de mortalidade infantil no mundo.
Num importante bairro de Nairóbi, no Quênia, chamado Kibera, é generalizado o sistema das chamadas “privadas voadoras”, sacolas de plástico em que as pessoas fazem suas necessidades para em seguida atirá-las na rua (daí o nome). A prática eleva as doenças infecciosas no bairro a níveis altíssimos. E os principais atingidos são as crianças e as mulheres. Por quê? Porque cabe a elas cuidar da limpeza doméstica e do transporte da água, e com isso se expõem mais ao contágio do que os homens.
Em Dharavi, uma zona populosa de Mumbai, na Índia, há um único banheiro para cada 1440 pessoas, e na estação das chuvas as enxurradas transformam as ruas da cidade em rios de excrementos. A fartura de água é, nesse caso, como no de muitas outras cidades do terceiro mundo, uma tragédia: as condições de existência fazem com que a água, em vez de vida, seja muitas vezes instrumento de doença e morte.
Paradoxalmente, a questão da água, indissociável da do saneamento, é talvez o principal problema que mantém homens e mulheres prisioneiros do subdesenvolvimento. Os dados do relatório são concludentes. Quando os pobres têm acesso à água, trata-se em geral de águas com todo tipo de bactérias, de males que os contaminam e matam. Mas, na maioria dos casos, a pobreza condena as pessoas a uma seca ainda mais catastrófica para a saúde e para as possibilidades de melhorar as condições de vida. Uma das conclusões mais chocantes da pesquisa é de que os pobres pagam mais caro pela água do que os ricos, justamente porque os povoados e bairros onde eles vivem carecem de instalações de abastecimento e descarga, o que os obriga a comprá-la de fornecedores comerciais, a preços exorbitantes.
Assim, os habitantes dos bairros pobres de Jacarta (Indonésia), Manila (Filipinas) e Nairóbi (Quênia) “pagam 5 a 10 vezes mais por unidade de água que as pessoas que vivem nas zonas de elevado rendimento das suas próprias cidades – e mais do que pagam os consumidores em Londres ou Nova York”. Esse preço desigual faz com que os 20% de famílias mais pobres de El Salvador, Jamaica e Nicarágua invistam um quinto de seus rendimentos em água, ao passo que no Reino Unido o gasto médio dos cidadãos com a água representa apenas 3% de sua renda.
Não resisto a citar essa estatística do relatório: “Quando um europeu puxa uma descarga, ou quando um americano tom banho, utiliza mais água do que a disponível para centenas de milhões de indivíduos que vivem em bairros degradados ou zonas áridas do mundo em desenvolvimento”. E também a estimativa de que, com a água poupada caso os “civilizados” fechássemos a torneira enquanto escovamos os dentes, um continente inteiro de “bárbaros” poderia tomar banho.
À primeira vista, não parece haver muita relação entre a falta de água e a educação das meninas. E, no entanto, ela existe e é estreita. O relatório calcula que muitos dias letivos são perdidos a cada ano por causa de doenças ligadas à água, e que milhões de meninas faltam à escola e recebem uma educação deficiente ou nula, e em todo caso inferior à dos meninos, por terem que buscar água diariamente em açudes, rios e poços que, muitas vezes, ficam a horas de caminhada.

Em Os Miseráveis, Victor Hugo escreveu que “os esgotos são a consciência da cidade”. Numa dessas digressões do narrador que pontuam o romance, enquanto Jean Valjean chapinhava na merda com o desmaiado Marius às costas, arriscou uma curiosa interpretação da história a partir do excremento humano. O formidável estudo da ONU faz coisa parecida, sem a poesia nem a eloqüência do grande romântico francês, mas com muito mais conhecimento científico. Propondo-se a apenas descrever as circunstâncias e conseqüências de um problema concreto que atinge um terço da humanidade, o relatório radiografa com dramática precisão o extraordinário privilégio de que os outros dois terços desfrutamos toda vez toda vez que, quase sem perceber, abrimos uma torneira para lavar as mãos ou o chuveiro para receber esse jato de água fresca que nos limpa e revigora, ou quando, impelidos por uma dor de barriga, sentamos na intimidade do banheiro, aliviamos as entranhas e, distraídos, limpamos com um pedaço de papel higiênico todos os rastros dessa cerimônia, para em seguida puxar a descarga e sentir, no turbilhão do vaso, nossa sujeira recôndita sumir nas entranhas dos esgotos, longe, longe de nossa vida e nosso olfato, para o bem da própria saúde e bom gosto.
Como é infinitamente diversa a experiência desses bilhões de seres humanos que nascem, vivem e morrem literalmente sufocados pela própria imundície, sem conseguir arrancá-la de suas vidas, pois, visível ou invisível, a sujeira fecal que expulsam volta para eles como uma maldição divina, na comida que comem, na água em que se lavam e até no ar que respiram, causando-lhes doenças e mantendo-os no limite da subsistência, sem chance de escapar dessa prisão na qual mal sobrevivem.
Um dos aspectos mais sombrios da questão é que, em grande parte por causa do nojo e da repulsa que os seres humanos sentimos por tudo o que tem a ver com a merda, os governos e organismos internacionais de promoção do desenvolvimento não costumam dar a ela a devida prioridade. Geralmente a subestimam, e dedicam recursos insignificantes a projetos de saneamento. A verdade é que viver em meio à sujeira é nefasto não apenas para o corpo mas também para o espírito, para a mais elementar auto-estima, para o ânimo que permite erguer a cabeça contra o infortúnio e manter viva a esperança, motor de todo progresso. “Nascemos entre fezes e urina”, escreveu Santo Agostinho. Um calafrio deveria subir por nossas costas como uma cobra de gelo ao pensarmos que um terço de nossos contemporâneos nunca acaba de sair da imundície em que veio a este vale de lágrimas.
(Fonte: Piauí, 5. Fevereiro de 2007)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O infeliz

sinto-me perdito, encurralado, desesperado como um cão abandonado por uma familia que se muda. cada passo dado é um passo no escuro, sem rumo, sem confiança. tudo ao meu redor parece girar, mas quando tento me apoiar em algo percebo que tudo realmente gira. quando tudo isso vai acabar? onde tudo isso vai parar? minha cabeça pesa, meu estomago esta vazio. estou muito fraco. apesar da fraqueza vou me movendo, pois sei que se ficar parado serei consumido.
a noite hoje nao tem luar, apenas um vento forte corta minha alma, congelando-me sem piedade. procuro por comida, estou tao faminto que nem as latas de lixo sao perdoadas. sinto uma fraqueza fora do comum, como se parte de minha alma tivesse sido arrancada de mim. preciso procurar um abrigo, o forte vento carragou nuvens que irao castigar a cidade essa noite.
me arrasto até um beco. acho que por aqui conseguirei abrigo nao só da chuva como da enchente que deverá vir arrastanto a sujeira putrida espalhada pelos porcos que habitam essa fossa.
e cai a chuva, impiedosa, com seus clarões e trovões, que soam como trombetas avisando a chegada do fim. esta frio, ratos se aninham perto de mim, a cada clarão posso ver nos olhos deles um sentimento de piedada, de tristeza.
após um tempo naquele local percebo o motivo pelo qual eu cambaleava, um pedaço de metal esta alojado perto do meu calcanhar. nao sinto dor. aquilo parece estar ali ha um bom tempo. a ferida esta escura, parece que agora que a vi posso senti-la. sinto o frio do metal cortar a minha carne. de forma alguma consigo remover aquela peça. um gota de suor frio escorre na minha fronte. estou ficando tonto, minha vista escurece, o som do trovão está ficando distante. estaria distante pois a chuva está passando ou seria eu que já não tenho mais forçar nem pra sustentar meus sentidos básico? vejo mais uma vez o olhar daqueles ratos, aqueles malditos ratos...
onde estou? que claridade toda é essa? será que finalmente morri?
- não. você não está morto. - diz uma voz suave e tranquila.
- inferno. - resmungo ainda perdido.
- você foi encontrado num beco, encolhido e todo molhado. foi trazido pra esse hospital por alguns garotos que passavam por ali. pelo que eles nos contaram alguns ratos estavam roendo seu pé enquanto você se contorcia num ataque epiletico.
- aqueles malditos ratos... eu sabia que eles tramavam alguma coisa.
- vou lhe dar esses remédios, vão fazer com que a dor passe.
- não precisa... simplemente acabe com a minha vid... aaahhh!!! maldita!!! se eu... se eu...
e mais uma vez não consegui me manter acordado. aquela voz, suave, tranquila, nunca pensei que... droga, não sinto mais nada. abro meus olhos e não vejo nada. será que ela atendeu o meu pedido e finalmente estou livre?

O barbaro

O sangue já não mais rolava, mas ainda assim ele desferia seus golpes, firme, golpe após golpe, cada vez mais certeiro, mais preciso, como se treinasse para algo que está por vir. Era com uma criança brincando, aquilo o divertia. Seria ele louco? Sanguinário? Não, ele é apenas alguem que foi tirado de suas origens e tenta se desvencilhar dela, pois sabe que nunca mais poderá voltar. Ele não se importa mais com o que é certo ou errado, simplesmente busca mais força, mais poder, para que nunca mais passe pelo que já passou.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Ordem do Martelo - Crônicas


A Glória pela Espada - Primeira parte.



O renome dessa ordem guerreira iniciou-se à cento e três anos atrás. O evento que os diferenciou de tantos outros grupos armados que existiam naquela época tomou forma nas últimas semanas do inverno daquele ano. O sol da primavera já se abria pela vastidão das terras e do ar, o verde iniciava seu reinado pelo mundo afora, mas os ventos do inverno continuavam vigorosos, mantendo as extremidades do corpo geladas e a mente sempre alerta e hígida.

Oito Martelos de Guerra foram enviados pelo Grão-Mestre da Ordem do Martelo Rubro à Passagem Sul. Está é a única abertura viável que liga os povos do meridião ao Reino de Clonwel. Única forma para a maioria dos mortais que habitam esse mundo de sobrepujar a Grande Muralha Branca, como é chamada, entre os comuns, a cadeia de montanhas que serve como limite e proteção meridional de Clonwel.

Os oito homens haviam sido enviados para a fronteira sul à pedido do Rei para que exterminassem um pequeno grupo de pilhagem que ameaçava atravessar os Picos enevoados da Grande Muralha Branca. Pelos informes que haviam chegado à capital, o grupo era formado por não mais que duas dúzias de guerreiros Orcs que saqueavam, matavam e estupravam na planície do Vento Sul. Assim como é hoje, naquela época, o sul do Reino era povoado por pequenas e esparsas vilas. A única fortaleza era Vau d’Água à apenas trinta vôos de flecha da trilha que iniciava a subida da Passagem Sul.

Os Cavaleiros do Martelo sempre consideraram as chuvas portadoras de bons presságios dos deuses. Cedorn, o Velho, costumava dizer que não havia melhor dia para empunhar um martelo de guerra do que um dia de forte chuva. A Ordem sempre possuiu uma ligação especial com esse elemento. A água era considerada purificadora e era utilizada para ablução nos rituais. Uma tempestade antes ou durante uma batalha sempre foi considerada prenúncio de uma grande vitória. E foi sob a proteção de uma forte chuva que a pequena comitiva chegou à fortaleza. Vau d’Água possuía muros de pedra não muito altos e estava localizada numa pequena colina. Ao redor, pequenas casas de madeira com telhados de palha. Possuía também duas torres construídas com madeira onde havia sempre arqueiros de vigia e uma entrada principal com dois portões: o primeiro, que se encontrava sempre fechado, era o mais fraco, feito de barras de ferro na vertical e duas barras mais longas e grossas na horizontal; o segundo era um portão de madeira maciça pintado com o símbolo do Rei Athlone, uma águia rubra, e que só se fechava em caso de batalha.
A chuva caía sem parar transformando a terra em lama. O clima dentro da pequena fortificação estava impregnado de tensão. O local estava surpreendentemente cheio de pessoas. Não havia apenas soldados, mas também pastores, agricultores e, o que mais chamou a atenção de Amhar, o líder da comitiva, um grupo de Alanos. Caçadores nômades que tatuavam seus braços e rostos com estranhos símbolos tribais. O que saltava aos olhos não era a presença desses caçadores, que viviam do outro lado da Muralha Branca, mas sim a presença de crianças e velhos entre eles. Isso só podia significar uma coisa, pensou Amhar: “São refugiados. Para estarem tão distantes de suas planícies e florestas, com crianças e velhos, é porque estão fugindo de alguma coisa”.

Crônicas de Forgotten

Aquilo representava tudo o que eu mais odiava. Tudo que fiz e aprendi foi para me distanciar daquela situação: a terra colocada sob sua cabeça ao invés de sobre seus pés, as passagens e corredores estreitos, o cheiro de mofo e a umidade, a energia estática... a falta de liberdade.

E aquele bárbaro? Eles chamam os drows de loucos, perversos e carniceiros.

Mas um homem que corta a carne morta e quebra ossos já trincados e se diverte com isso, como chamamos? O cheiro de carne putrefada misturado ao ar mofado, a opressão da terra sob mim, a expressão de puro prazer daquele bárbaro, o frenesi da morte controlando seus braços enquanto cortava e quebrava aquilo que já não podia mais ser cortado e quebrado, e as gargalhadas, as gargalhadas... Loucura, pura loucura!

Depoimento de Malraux, o ranger negro, sobre sua incursão às ruínas de Illefarn.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Ordem do Martelo - Crônicas


Introdução - A Ordem do Martelo


Quando não se há mais nada a perder, quando tudo que possuímos nos é tomado e tudo em que acreditávamos nos é negado, certamente somos obrigados a rever certos princípios. Mais do que frustração ou desespero, a sensação mais visceral é a necessidade de identificar o que é realmente necessário para a vida. Nem luxos, nem posição, nem reconhecimento, nem mesmo o pão de cada dia.

Escrevo aqui a história de Andarilhos. Dou forma à história dos mais desgraçados dos guerreiros. Dos mais desonrados dos cavaleiros. Aqueles que não possuem lar à proteger ou senhor à servir. O que sobrou a esses homens desonrados e caçados foi sua fé e seu código de conduta: viver para batalhar! Viver em função daquele instante em que suas ações, sua vida e sua alma estarão fundamentadas. É esse instante que eles procurarão sempre alcançar novamente. Mas nem sempre foi, assim, tão simples. Suas obrigações foram enormes no passado. Sua fama como guerreiros e homens respeitados percorreu terras extensas. Sua lealdade foi considerada inconteste. Mas assim como as estações substituem umas às outras trazendo mudanças nas vidas dos homens e da natureza, o destino também trouxe mudanças à condição desses guerreiros. Hoje sua condição define seus nomes. Nome que é sussurrado como uma lenda. Nunca cantado, pois se referir à sua história é chamar para si uma maldição. São chamados pelos comuns, sussurrados na noite, como Andarilhos. Mas no passado eram conhecidos como Cavaleiros do Martelo.

Chimera

No começo caminhamos
como sombras, perdidos em mil estradas.
Entretanto, possuímos forma,
permanecendo como ar rarefeito.

Como substância inconstante
selvagem... livre.
Mesmo perdidos nesses
milhares caminhos
a substância nos permite,
permite razão para se perder
e um abismo que é para sentir.

Sou uma sombra errante.
Aos poucos.

Sombra, shadow, schatten, ombre,
ombra, shaduw...

Malraux, o ranger negro.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

o espírito se oculta mas descobre-se a si mesmo.

"Ele é um Espírito gigantesco que se oculta bem. Todos os seus sentidos porém estão petrificados. Ele não pode fugir de sua carcaça estreita. Nem partir as grades de sua prisão. Por mais que agite sem parar as asas. Que se estire e se retorça poderosamente. E, seja nas coisas inertes seja nas vivas. Aspire com vigor por tornar-se consciente. Encerrado num cárcere que a língua chama de ser humano. O Espírito gigante descobre-se a si mesmo. Ao sair desse sono pesado, desse longo sonho. É às duras penas que ele se reconhece. E de imediato, com toda a força dos seus sentidos, ele deseja. Dissolver-se novamente na natureza imensa" (Scheling, "O Espírito Gigante").

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Derkarius e a arena

Então, eis que surge na arena aquele ser, de quase três metros de altura com sua enorme clava de osso. As cicatrizes em seu rosto e em seu corpo mostram os inúmeros combates percorridos. Nos seus olhos é possível ver a pureza de uma criança, mas quando seu sangue começa a escorrer, uma fúria monstruosa e uma sede de sangue tomam conta do seu ser. Ele não quer esta vida, mas não pode escapar de sua sina.

terça-feira, 19 de junho de 2007

O rosto sujo da poeira do Mundo ajuda a esconder a mente que tenta ficar calada, num espaço onde até os pensamentos podem ser ouvidos. A sois que venho tentando amadurecer a semente e me esparramar por caminhos desconhecidos, que só possuem uma certeza: a aridez própria deste Mundo. Venho de flor e fruto não fecundo, tentando... tentando. Mas o que não é essa nossa vida se não eternos recomeços. - Rowan
PS. antiga conversa com Anahvias