sinto-me perdito, encurralado, desesperado como um cão abandonado por uma familia que se muda. cada passo dado é um passo no escuro, sem rumo, sem confiança. tudo ao meu redor parece girar, mas quando tento me apoiar em algo percebo que tudo realmente gira. quando tudo isso vai acabar? onde tudo isso vai parar? minha cabeça pesa, meu estomago esta vazio. estou muito fraco. apesar da fraqueza vou me movendo, pois sei que se ficar parado serei consumido.
a noite hoje nao tem luar, apenas um vento forte corta minha alma, congelando-me sem piedade. procuro por comida, estou tao faminto que nem as latas de lixo sao perdoadas. sinto uma fraqueza fora do comum, como se parte de minha alma tivesse sido arrancada de mim. preciso procurar um abrigo, o forte vento carragou nuvens que irao castigar a cidade essa noite.
me arrasto até um beco. acho que por aqui conseguirei abrigo nao só da chuva como da enchente que deverá vir arrastanto a sujeira putrida espalhada pelos porcos que habitam essa fossa.
e cai a chuva, impiedosa, com seus clarões e trovões, que soam como trombetas avisando a chegada do fim. esta frio, ratos se aninham perto de mim, a cada clarão posso ver nos olhos deles um sentimento de piedada, de tristeza.
após um tempo naquele local percebo o motivo pelo qual eu cambaleava, um pedaço de metal esta alojado perto do meu calcanhar. nao sinto dor. aquilo parece estar ali ha um bom tempo. a ferida esta escura, parece que agora que a vi posso senti-la. sinto o frio do metal cortar a minha carne. de forma alguma consigo remover aquela peça. um gota de suor frio escorre na minha fronte. estou ficando tonto, minha vista escurece, o som do trovão está ficando distante. estaria distante pois a chuva está passando ou seria eu que já não tenho mais forçar nem pra sustentar meus sentidos básico? vejo mais uma vez o olhar daqueles ratos, aqueles malditos ratos...
onde estou? que claridade toda é essa? será que finalmente morri?
- não. você não está morto. - diz uma voz suave e tranquila.
- inferno. - resmungo ainda perdido.
- você foi encontrado num beco, encolhido e todo molhado. foi trazido pra esse hospital por alguns garotos que passavam por ali. pelo que eles nos contaram alguns ratos estavam roendo seu pé enquanto você se contorcia num ataque epiletico.
- aqueles malditos ratos... eu sabia que eles tramavam alguma coisa.
- vou lhe dar esses remédios, vão fazer com que a dor passe.
- não precisa... simplemente acabe com a minha vid... aaahhh!!! maldita!!! se eu... se eu...
e mais uma vez não consegui me manter acordado. aquela voz, suave, tranquila, nunca pensei que... droga, não sinto mais nada. abro meus olhos e não vejo nada. será que ela atendeu o meu pedido e finalmente estou livre?
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3 comentários:
Além de bárbaro é infeliz?
Tá difícil a situação... As duas histórias são do mesmo personagem?
Legal a história. As duas são do Back do seu personagem?
Parece q só nó é que curtimos utilizar o espaço aqui.
Melhor, é mais metro quadrado per capita.
Antonio.
esse é uma história disconexa do meu personagem, algo que escrevi a alguns meses e resolvi postar
[]'s
Vocês estão se achando. Eu freqüento esse espaço tb.
Consumo apenas.
Não tenho nada de interessante no momento para postar.
(até leio os comentários)
L.
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