Mauricio/ ? Human Cleric
Na viagem à Caergoth, no sul de Solanmia, que você faz acompanhando o jovem aspirante a Cavaleiro, você acorda assustado. Não por causa dos sobressaltos da carroça onde viajam, mas pelo sonho que mais uma vez encontra sua consciência nas terras enevoadas do sonhar. Um grande prédio em chamas está adiante de você e você ouve claramente os pedidos de socorro advindos do coração do fogo. A única coisa que vê são chamas e fumaça, mas as vozes são claras e nítidas, as súplicas partem seu coração. O que fazer? As chamas já alcançavam intensidade e tamanho suficientes para queimar sem ao menos tocá-lo. Então, as súplicas param e você ouve apenas uma voz forte e cristalina que diz o seguinte: No princípio era o fogo em ascensão
Que iluminou as tempestades a partir de uma faísca
No princípio era o verbo, o verbo
Que das sólidas matrizes da luz
Abstraiu todas as letras do vazio;
E das nebulosas origens do sopro vital
Fluiu o verbo, traduzindo para o coração
Os primeiros caracteres do nascimento e da morte.
Um homem alto, de cabelos e barba ruivas e olhos castanhos passa, então, por você. Ele usa uma armadura, mas os detalhes nela não são importantes, ou seria você que não consegue enxerga-los? O homem continua em direção ao prédio em chamas, seu andar é constante e ele é engolido pelo fogo que adquire colorações nunca antes imaginadas por você, as chamas mexem-se então em um movimento caótico até se extinguirem completamente. O prédio está no chão, totalmente consumido e o homem permanece de pé sem sinal de ferimentos. Você se aproxima e pergunta: “E as pessoas, estão mortas?”e o homem lhe responde “Sim, e o fogo foi extinto!”
O mesmo sonho todas as noites nos últimos dois anos e meio. A única diferença é que com o passar do tempo ele está muito mais nítido. Você no começo não conseguia entender o que o homem ruivo dizia e nem ver que ele usava uma armadura. Mas desde a primeira vez que você teve o sonho sua vida e sua compreensão do mundo se modificaram completamente. Agora você consegue acessar o fogo interior que sempre queimou na sua alma, você consegue retirar poder desse fogo. A inquietação que sempre lhe corroeu agora parece um pouco apaziguada, alimentada. Por isso não lhe pareceu estranha aceitar tão prontamente o convite feito pelo jovem cavaleiro para lhe acompanhar até Caergoth. Mais do que manter essa nova amizade, aceitar o convite foi para você uma forma de continuar alimentando esse animal que habita seu ventre e que lhe inquieta a alma.
E você pretende descobrir também o que fazer com o metal de uma estrela cadente que você adquiriu depois que seu local de queda lhe foi revelado em sonho.
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